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Meio século de valorização de recursos humanos

Equipe iniciada com pequeno número de pessoas contratadas via projeto chega hoje a 320 colaboradores, e Fundep tem nas pessoas seu pilar central

Marcelo Cardoso e Tacyana Arce

Foto: Acervo/Fundep.

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Se as paredes da Reitoria da UFMG pudessem falar sobre o ano de 1975, elas contariam a história de um grupo de seis técnicos e estagiários liderados por uma mulher determinada a fazer o que muitos consideravam impossível: criar uma instituição privada para gerir recursos públicos numa Universidade que começava a amadurecer.  

A estratégia de recrutamento era, no mínimo, inusitada: “Os alunos da UFMG iam para as grandes instituições, então, eu ia nas universidades de São Paulo encantar a pessoa até levar pra Fundep”, relembrou Gilca Waistein, a primeira gestora da Fundep, na última entrevista concedida antes de falecer, em 2025. Sem orçamento formal instituído para a formação de um corpo funcional próprio, os primeiros colaboradores Fundep eram contratados como estagiários nos próprios projetos que iam gerir.  

Quem se responsabilizava pelos vínculos profissionais era o Serviço de Pessoal, subordinado ao Setor Administrativo, mas os vínculos que criaram a identidade da Fundep foram construídos no relacionamento diário. É o que lembra José Carlos Delogo de Castro, do setor de Compras da Fundep, carinhosamente conhecido como “Zeca” e memória viva da instituição há 48 anos. 

“Quando cheguei, em 1978, o [Setor de] Pessoal era onde a gente ia para assinar a carteira ou resolver burocracias de pagamento. Eram todos atenciosos, lideranças, inclusive, mas não era uma época em que se falasse do cuidado com o colaborador. Ver essa mudança ao longo dos anos, com a área transcendendo sua atuação para se tornar um pilar que discute o bem-estar das pessoas aqui dentro, foi fundamental. Nós nos sentimos valorizados, como o motor da Fundação”, avalia. 

Para chegar à configuração que tem hoje – uma Gerência de Pessoas e uma coordenação de Administração de Pessoal – o setor passou por 10 reestruturações ao longo da sua história. Antes mesmo da sigla “RH” (Recursos Humanos) se tornar comum no mercado, a Fundep já investia na capacitação dos seus colaboradores, como lembra Antônio Faraci, que integrou a primeira equipe de gestão da Fundep. “Assim que a Fundep já tinha um certo porte passamos a custear cursos de graduação. Tempos depois, já diante da internacionalização necessárias das nossas atividades, vieram os cursos de idiomas”. 

Em 2021, as atividades administrativas relacionadas à contratação, à folha de pagamento e à saúde do trabalhador, entre outras atribuições, passaram a atuar de forma integrada à gestão de pessoas, consolidando-se em uma área reconhecida como eixo estratégico da Fundação. A reconfiguração do organograma — com vinculação direta à Presidência e ao Conselho Diretor — materializou uma diretriz institucional: reconhecer as pessoas como o maior patrimônio da Fundep. 

Segundo Débora Rocha, gerente da área de Gestão de Pessoas e Administração de Pessoal, a transformação estrutural foi acompanhada de uma mudança de enfoque. Ao longo dos últimos cinco anos, intensificaram-se os investimentos em capacitação, desenvolvimento, política salarial e avaliação de desempenho, ampliando a centralidade das pessoas nas decisões institucionais. “Se antes predominava uma lógica executora, hoje a área ocupa posição estratégica”, destaca. 

Atualmente, a gerência reúne, de forma articulada, as frentes de Recursos Humanos — voltadas à formulação de políticas, recrutamento e seleção — e de Departamento Pessoal, responsável pelos processos administrativos e contratuais de colaboradores da sede e de projetos. A integração assegura continuidade e coerência às etapas do ciclo de gestão, da admissão aos trâmites formais, evidenciando o caráter complementar das atribuições. 

Para o professor Jaime Arturo Ramírez, presidente da Fundep, celebrar meio século de fundação é, acima de tudo, celebrar vidas dedicadas à ciência e à Universidade. 

“A Fundep é o braço que apoia a UFMG, mas esse braço é feito de carne, osso e dedicação”, destaca. “Quando olhamos para a história iniciada pela professora Gilca, vemos que o DNA da Fundep é a resiliência. O papel do Conselho Diretor é honrar esse legado oferecendo um ambiente seguro, estimulante e humano. O sucesso da Fundep se mede pelos projetos que viabilizamos, sim, mas também pelo bem-estar e estabilidade de quem trabalha aqui dentro.”

Reestruturações da área acompanham ordenamento do setor e antecipam tendências

Colaboradores participantes da 26ª Volta Internacional da Pampulha. Foto: Marcelo Cardoso/Fundep.

Ao longo de cinco décadas, a Fundep acompanhou de forma sistemática as transformações do ordenamento trabalhista brasileiro e das dinâmicas que reconfiguram o mundo do trabalho. Da consolidação de direitos assegurados pela Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, às alterações promovidas pela Lei nº 13.467/2017 na Consolidação das Leis do Trabalho, passando pelas atualizações das Normas Regulamentadoras — entre elas a Norma Regulamentadora nº 1, que incorporou a gestão de riscos psicossociais —, a Fundação buscou não apenas assegurar conformidade legal, mas incorporar as novas exigências culturais que orientam as organizações contemporâneas. 

Nesse percurso, temas como diversidade, saúde mental, segurança, inclusão e equilíbrio entre vida profissional e pessoal deixaram de ocupar posição periférica para se consolidarem como dimensões estruturantes da gestão. A atenção às mudanças legislativas, aliada à criação de instâncias participativas e programas voltados ao bem-estar, evidencia uma postura institucional proativa, que reconhece nas pessoas o centro da estratégia e na atualização permanente uma condição para a sustentabilidade organizacional. 

Há cinco anos, foi iniciada a instituição do Comitê de Diversidade e do Comitê de Saúde Mental, além da reformulação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (Cipa). “Esses grupos ampliam os canais de escuta e participação, permitindo que colaboradores de diferentes áreas apresentem propostas e demandas, com atuação transversal e colaborativa. Nos comitês de Diversidade e de Saúde Mental, a Gestão de Pessoas exerce papel de apoio, assegurando que o protagonismo permaneça com os próprios integrantes”, explica Débora. 

Em uma instituição que reúne centenas de profissionais, a pluralidade constitui traço estruturante. O Comitê de Diversidade reforça o compromisso com um ambiente que valoriza diferentes trajetórias, identidades e perspectivas, reconhecendo na multiplicidade de olhares um vetor de inovação e aprimoramento institucional. Nos processos seletivos, a competência técnica orienta as decisões, em consonância com o princípio da equidade. 

A promoção do bem-estar psicológico também ganhou centralidade, especialmente no contexto pós-pandemia e diante da atualização da NR nº 1, que passou a reconhecer riscos psicossociais e a Síndrome de Burnout como relacionados ao ambiente de trabalho. Em resposta, a Fundep implementou ações como pausas ativas, rodas de conversa e conteúdos informativos, além de iniciativas periódicas de terapia sonora, mindfulness e quick massage, voltadas à descompressão e ao equilíbrio no cotidiano profissional.

A atuação da Cipa complementa essa rede de cuidado, reforçando a cultura de prevenção e segurança. Nesse mesmo espírito, destaca-se o Programa b.e.m (Balanço, Energia e Movimento), que estimula a integração das equipes e a prática de atividades físicas e recreativas, fortalecendo vínculos e promovendo qualidade de vida.

“A gente passa a maior parte do nosso tempo aqui dentro, então a segurança vai muito além de usar o equipamento correto ou evitar um acidente físico. É sobre como a gente se sente, de verdade, no fim do expediente”, reflete Josiane Landim, técnica de segurança do trabalho e integrante do programa. “O b.e.m trouxe uma vida nova para os nossos espaços. Ver os colegas saindo um pouco das telas, rindo juntos durante uma atividade ou interagindo em um campeonato muda completamente a energia do lugar. A gente deixa de ser só um crachá ou uma função e passa a se enxergar com mais empatia. É esse cuidado genuíno que faz o nosso dia a dia mais leve e muito mais humano.”

Guardiões da história: uma vida dedicada à Fundep

No dia 12 de dezembro de 2025, a Fundep reuniu seus colaboradores para mais uma edição do FundepX. O evento, voltado para o balanço do ano e a celebração de resultados, ganhou um significado histórico ao marcar as comemorações do cinquentenário da Fundação. O encontro também encerrou a “Trilogia Fundep X 50+”, um projeto que utilizou a arte para refletir sobre a trajetória e os próximos passos da instituição. Após explorar as artes visuais e performáticas em anos anteriores, a edição de encerramento foi guiada pela literatura. Com o tema “Um futuro [de] poesia“, a equipe foi convidada a refletir sobre a importância da sensibilidade, da escuta e da imaginação na construção do amanhã.

O FundepX 2025 homenageou as artes literárias, convidando à reflexão sobre sensibilidade, escuta e imaginação como dimensões fundamentais para a construção do amanhã. Foto: Ana Carolina Gripp/Fundep.

Na ocasião, o Conselho Diretor reconheceu e homenageou os 14 colaboradores mais antigos da Fundep, que somam mais de 20 anos de suas vidas dedicados à fundação. “Zeca”, com seus 48 anos de casa, tem sua trajetória pessoal confundida com a própria identidade da Fundação: 

“Eu entrei aqui quando tudo era mato, como dizem”, brinca o veterano, emocionado. “Vi a era da máquina de escrever, vi a chegada dos primeiros computadores e hoje vejo a inteligência artificial. Mas a essência da Fundep, aquela vontade de fazer acontecer que eu vi no olhar da Gilca lá atrás, isso nunca mudou. A Fundep não é meu segundo lar, é parte de quem eu sou. Ficar aqui 48 anos não foi um sacrifício, foi um privilégio.”

José Carlos Delogo, o “Zeca”, é o colaboradores mais antigo da Fundep. Dos 51 anos da Fundação, ele compõe o quadro de funcionários há 48 anos. Foto: Ana Carolina Gripp.

Simone Simões está na Fundep há 35 anos. Foto: Ana Carolina Gripp.

A trajetória de Simone Simões também ilustra esse forte sentimento de pertencimento e identificação. Após um breve período fora, ela retornou à instituição, motivada pela paixão pelo propósito da Fundep: “Eu gosto de estar nesse ambiente acadêmico, de pesquisa, que contribuir com a sociedade lá fora. Quando eu vejo uma pesquisa gerando resultados, eu me sinto parte daquilo”. 

Hoje, Simone vê a Fundação como um “objeto de desejo” de muitos profissionais no mercado. “A oportunidade de entrar aqui e a oportunidade de nos tornar um pouco melhor todos os dias… a gente não se arrepende de aproveitar. O ambiente é feito por nós”, reflete a analista, resumindo o espírito de quem ajudou a construir essas cinco décadas de história.

Conheça os outros veteranos homenageados:

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01

José Carlos Delogo De Castro, colaborador há 48 anos

02

Bruno de Moura Teatini, colaborador há 36 anos

03

Simone Oliveira Simões Martins, colaboradora há 35 anos

04

Cassiano Rangel da Silva, colaborador há 27 anos

05

Claudia Regina Caroba Barbosa, colaboradora há 27 anos

06

Kele Passos Brandão, colaboradora há 23 anos

07

Luciana Papatella Pereira Laborne Ferreira, colaboradora há 23 anos

08

Daniele Rodrigues Pedrosa, colaboradora há 22 anos

09

Marcos Mardem de Almeida Jr., colaborador há 21 anos

10

Francisco Bicalho Gozoso, colaborador há 21 anos

11

Tais Victor Gonzaga, colaboradora há 20 anos

12

Alexison Alcantara do Nascimento, colaborador há 20 anos

13

Marina Bicalho de Alvarenga Mendes, colaboradora há 20 anos

14

Priscila Magalhães de Sá Dalforne, colaboradora há 20 anos

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