Em discurso comemorativo, professor Jaime Ramírez destacou marcos históricos da Fundação, a atuação em projetos de alcance nacional e o anúncio da sede própria no campus Pampulha. Leia na íntegra:
Foto: Divulgação/Fundep
Profa. Sandra Goulart Almeida, reitora da UFMG; Prof. Alessandro Fernandes Moreira, vice-reitor e reitor eleito da UFMG; Prof. Hugo Eduardo Araujo da Gama Cerqueira, presidente do Conselho Curador; Diretoras e Diretores de Unidades Acadêmicas da UFMG; Docentes e pesquisadores, servidores TAEs, discentes da UFMG; Profa. Elizabeth e Prof. Walmir; Colaboradores da Fundep; Senhoras e senhores, boa noite!
Celebrar os 50 anos de uma instituição como a Fundação de Apoio da Universidade Federal de Minas Gerais é, antes de tudo, um exercício de reflexão sobre o tempo. Não o tempo imediato das gestões, dos projetos ou das conjunturas, mas o tempo longo da construção institucional, feito de continuidades, de escolhas coletivas e de compromissos que atravessam gerações. Instituições públicas não se sustentam apenas pela formalidade de seus atos constitutivos; elas se afirmam, sobretudo, pela capacidade de responder, de modo consistente e duradouro, às demandas da sociedade.
A Fundep nasceu de uma necessidade estrutural da universidade pública brasileira: a de criar condições institucionais que permitissem à Universidade cumprir, com autonomia e responsabilidade, sua missão acadêmica e social. Ao longo de cinco décadas, a Fundep consolidou-se como uma fundação de referência entre a UFMG, outras Instituições de Ciência e Tecnologia e o conjunto da sociedade, atuando de forma decisiva para viabilizar projetos de ensino, pesquisa, extensão, inovação, cultura e desenvolvimento institucional em contextos marcados por crescente complexidade normativa e administrativa.
Essa condição de fundação de apoio não tem caráter acessório, constituindo-se pressuposto fundamental de sua atuação. Ela expressa uma compreensão profunda do papel das fundações no sistema universitário: não como instâncias substitutivas da Universidade, tampouco como estruturas meramente operacionais, mas como instrumentos institucionais que ampliam a capacidade de ação da universidade pública, preservando sua autonomia acadêmica e fortalecendo sua inserção social. É nesse sentido que a Fundep, aos 50 anos, se inscreve na história de quase 100 anos da UFMG — não como protagonista isolada, mas como parte de uma engrenagem institucional mais ampla, contribuindo para a formação cidadã, a produção e difusão do conhecimento e o atendimento às demandas da sociedade.
Aqui cabe mais do que um cumprimento — um agradecimento especial a todos os dirigentes que me antecederam e que contribuíram, cada um a seu modo e de maneira decisiva, para construir a Fundep: aos familiares de Gilca Wainstein, Octávio Elísio Alves de Brito, Marcelo de Vasconcelos Coelho, Odette Vieira Gonçalves de Souza e Jacques Schwartzman; e aos colegas aqui presentes, Ivan Moura Campos, Tarcísio Ribeiro, José Nagib Árabe, Márcio Ziviani, Marco Aurélio Crocco Afonso e Alfredo Gontijo de Oliveira. De igual maneira, agradeço a todos colaboradores que, por cinco décadas, contribuíram para trazer a Fundação até aqui.
Um dos princípios que sempre norteou a atuação da Fundep é a compreensão de que a excelência acadêmica não se sustenta no abstrato. Ensino de qualidade, pesquisa relevante, extensão dialógica e transformadora e produção cultural consistente dependem de condições institucionais concretas. Dependem de infraestrutura material, de marcos normativos adequados, de gestão qualificada e de arranjos institucionais capazes de responder, com agilidade, rigor e segurança, às exigências da universidade contemporânea. Nesse contexto, a Fundação aparece como parte constitutiva dessa infraestrutura ampliada, contribuindo para que a Universidade possa exercer plenamente suas funções.
Concebida inicialmente para gerir projetos de pesquisa e prover apoio aos pesquisadores da UFMG na captação de recursos na década de 70, a Fundep logo assimilou a importância da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, princípio fundante da universidade pública brasileira. A atuação da Fundação, ao longo de sua história, evidencia como esse princípio se materializa no cotidiano institucional, ao apoiar projetos que articulam formação acadêmica, produção de conhecimento e compromisso social. A inclusão da cultura e da inovação nesse horizonte amplia ainda mais essa compreensão, reconhecendo a universidade como espaço de criação, reflexão crítica e interlocução permanente com a sociedade. O desenvolvimento institucional, por sua vez, atesta a importância que a Fundep desempenha na consolidação dos campi da UFMG em Belo Horizonte, Montes Claros e Tiradentes, e na gestão de um Hospital Universitário e de uma Unidade de Pronto Atendimento de Belo Horizonte.
A Fundep se especializou também, desde 1991, na gestão de concursos na esfera pública e privada, atendendo projetos de diferentes complexidades e critérios, contribuindo para a seleção e qualificação de servidores em Minas Gerais, e, desde o ano passado, contribui na seleção de estudantes no Exame Seriado para a UFMG. E atua, desde 2020, na coordenação de três linhas do programa nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover), iniciativa do Governo Federal que amplia as exigências de sustentabilidade da frota automotiva e estimula a produção de novas tecnologias nas áreas de mobilidade e logística. Como Fundação de Apoio, é a única instituição no cenário nacional que conta com uma empresa de investimentos — a Fundepar — para investir em startups de tecnologia social em atendimento aos ODS da ONU.
Mais do que retornar à UFMG em cada ano 30% do seu superávit contábil por meio do Fundo Fundep — essa decisão importantíssima já apoiou centenas de docentes e projetos nas últimas décadas —, a Fundep habita no campus Pampulha e no campus Saúde: ela vive na UFMG. E neste ano, como parte da comemoração de seus 50 anos, a Fundep inicia a construção de sua sede própria no campus Pampulha — fortalecendo ainda mais a sua relação com a UFMG.
Celebrar 50 anos é, portanto, reconhecer uma trajetória construída de forma coletiva, em estreita relação com a história da UFMG e com os desafios enfrentados pela universidade pública e a produção científica no Brasil. Mais do que um marco comemorativo, esta celebração é um convite à reflexão sobre o presente e o futuro das instituições que sustentam a vida universitária e a ciência brasileira.
Ao olhar para o passado, afirmamos compromissos que permanecem atuais: com autonomia universitária, gestão responsável, excelência acadêmica e com a relevância social da Universidade. Ao projetar o futuro, reconhecemos que novos desafios se apresentam, exigindo capacidade de adaptação, inovação institucional e, acima de tudo, fidelidade aos princípios que orientam a universidade pública.
Já caminhando para o encerramento da minha participação, dirijo-me à reitora Sandra e ao reitor eleito, Alessandro, em nome do Conselho Diretor da Fundep, para agradecer a confiança em nós depositada para dirigir essa fundação. Foi uma honra servir à UFMG, uma vez mais, desta vez da Fundep.
Que os 50 anos da Fundep inspirem novas gerações de gestores, docentes, estudantes e técnicos a seguirem construindo, de forma coletiva, uma fundação sempre ciente de sua missão e uma universidade pública comprometida com a produção do conhecimento, cultura, com a democracia e com a transformação social.
Vida longa à Fundep! Muitíssimo obrigado!


